As
relações humanas nas últimas três décadas passaram
por transformações profundas, em uma velocidade não antes
conhecida. Os descartáveis, os congelados, a comida pronta e "fast"
roubaram momentos importantes de convivência entre as pessoas. Sem nos apercebermos,
começamos também a descartar e congelar, a querer tudo cada vez
mais rápido e nos afastamos uns dos outros. Naquela época, as pessoas
faziam compras na feira, no empório, no bazar e conheciam os comerciantes
pelo nome.
O
saco de papel kraft e o jornal embalavam praticamente tudo, até carnes
e peixes. Arroz, feijão, verduras, frutas, bolachas, óleo de cozinha
e farinhas eram vendidos à granel; açúcar e café eram
embalados em sacos de papel, sendo este último, torrado na hora da compra.
Leite, iogurte, creme de leite e refrigerante, utilizavam garrafas de vidro; cada
um levava sua própria sacola ou carrinho para as compras, e o lixo, basicamente
orgânico era depositado em latas, deixadas nas portas das casas, para coleta
de caminhão ou carroça.
Entre
o final da década de 1960 e o início da de 1970, começaram
a aparecer os supermercados, os hipermercados e os shopping centers e com eles
um mundo de embalagens que não existiam. (continua)
Pedro
Reis
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